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Planejamento · Ortodontia

Caninos inclusos: quando a panorâmica basta e quando pedir CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico)

O canino superior é o dente que mais fica incluso depois do siso. A panorâmica localiza e acompanha. A CBCT entra quando a coroa do canino se sobrepõe à raiz dos incisivos ou há suspeita de reabsorção, pode mudar a conduta. Em um estudo de casos selecionados por sobreposição e suspeita de reabsorção, houve mudança de plano em cerca de um terço dos caninos.

OrtodontiaPanorâmica · complementar: CBCT2 min de leitura

Base científica: Cochrane, meta-análise e estudos clínicos

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

Incisivo lateral superior (12) com reabsorção causada por canino incluso, em cortes de CBCT: (A) no diagnóstico e (B) no controle, anos depois. As setas apontam a reabsorção. (C) Aspecto clínico no controle: o paciente não tinha sintomas.Dahlén A et al. Eur J Orthod. 2024;46(6):cjae052 · Fig. 5 · CC BY (Creative Commons Atribuição) 4.0 · versão adaptada: contraste leve e nitidez; dimensões preservadas
DOI (identificador digital de objeto): 10.1093/ejo/cjae052 · Licença CC BY

O que é

Canino que não irrompe no tempo esperado e fica retido no osso, na maioria das vezes por palatino. Ele pode reabsorver a raiz dos incisivos vizinhos sem dar nenhum sintoma.

57%dos caninos inclusos estão por palatino
31%das reabsorções nos dentes vizinhos são graves
34%dos planos de tratamento mudaram depois da CBCT

Posição e reabsorção: meta-análise com 18 estudos em CBCT.1 Mudança de plano: estudo prospectivo com 125 caninos selecionados por sobreposição e suspeita de reabsorção.2

O que procurar na panorâmica

  • Posição: altura do canino, angulação em relação à linha média (ângulo alfa) e em relação ao incisivo lateral.
  • Sobreposição: coroa do canino sobre a raiz do incisivo lateral ou central.
  • Sinais associados: canino decíduo retido e incisivo lateral ausente ou pequeno.

A panorâmica estima bem altura e angulação, mas só antecipa as reabsorções graves.3 Ângulos grandes em relação à linha média e ao incisivo lateral foram os sinais que mais levaram a mudança de plano depois da CBCT.2

O que a CBCT acrescenta

A tomografia mostra se o canino está por vestibular, por palatino ou entre as corticais, e se há reabsorção nas raízes vizinhas e qual a sua extensão. Em revisão de estudos comparativos, a CBCT foi mais útil justamente nos casos difíceis de interpretar na radiografia convencional.4 Depois dela, a mudança mais comum no plano foi a direção da tração (22% dos caninos). A decisão de manter ou extrair o canino mudou em apenas 3%.2

Conduta

  1. Canino não palpável ou diferença entre os lados: avalie clinicamente a erupção e os exames anteriores; solicite panorâmica quando houver indicação para localização e planejamento.8
  2. Sem sobreposição com os incisivos: defina o acompanhamento pela evolução clínica e pelo plano ortodôntico; novas radiografias dependem da necessidade individual.8
  3. Sobreposição com a raiz dos incisivos ou suspeita de reabsorção: considere CBCT de FOV (campo de visão) reduzido quando a imagem 2D não responder à dúvida e o resultado puder mudar o planejamento da tração.2,3
  4. Extração do canino decíduo para estimular a erupção: a evidência é muito incerta. Na revisão Cochrane, a erupção foi mais frequente com a extração, mas o intervalo de confiança incluiu a ausência de efeito.5
  5. Incisivo com reabsorção: entre 47 incisivos conservados e reavaliados após 5,5 a 14,6 anos, não houve perda nem tratamento de canal. Pacientes com incisivos já extraídos foram excluídos; o resultado não representa todos os casos diagnosticados. Extrair incisivo sem sintomas só pela reabsorção não deve ser rotina.6,7

Prevenção

O diagnóstico precoce é a principal medida. O atraso na erupção ou no tratamento do canino incluso está associado à reabsorção das raízes dos incisivos vizinhos.1

Referências e fontes 8 fontes
  1. Schroder AGD et al. To what extent are impacted canines associated with root resorption of the adjacent tooth? A systematic review with meta-analysis. J Am Dent Assoc. 2018;149(9):765-777.e8.Meta-análiseDOI: 10.1016/j.adaj.2018.05.012
  2. Stoustrup P et al. Will supplemental cone beam computed tomography change the treatment plan of impacted maxillary canines based on 2D radiography? A prospective clinical study. Eur J Orthod. 2024;46(1):cjad062.Estudo prospectivoDOI: 10.1093/ejo/cjad062
  3. Sosars P et al. Comparative analysis of panoramic radiography and cone-beam computed tomography in treatment planning of palatally displaced canines. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2020;157(5):719-727.Estudo diagnósticoDOI: 10.1016/j.ajodo.2019.12.012
  4. Eslami E et al. Cone-beam computed tomography vs conventional radiography in visualization of maxillary impacted-canine localization: a systematic review of comparative studies. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2017;151(2):248-258.Revisão sistemáticaDOI: 10.1016/j.ajodo.2016.07.018
  5. Benson PE et al. Interventions for promoting the eruption of palatally displaced permanent canine teeth, without the need for surgical exposure, in children aged 9 to 14 years. Cochrane Database Syst Rev. 2021;12:CD012851.Revisão CochraneDOI: 10.1002/14651858.CD012851.pub2
  6. Dahlén A et al. Longitudinal study of root resorption on incisors caused by impacted maxillary canines: a clinical and cone beam CT assessment. Eur J Orthod. 2024;46(6):cjae052.Coorte longitudinalDOI: 10.1093/ejo/cjae052
  7. Dahlén A et al. Correction to: Longitudinal study of root resorption on incisors caused by impacted maxillary canines—a clinical and cone beam CT assessment. Eur J Orthod. 2025;47(6):cjaf090.ErrataDOI: 10.1093/ejo/cjaf090
  8. Benavides E et al. American Dental Association and American Academy of Oral and Maxillofacial Radiology patient selection for dental radiography and cone-beam computed tomography: Clinical recommendations. J Am Dent Assoc. 2026.ConsensoDOI: 10.1016/j.adaj.2025.10.013

Fonte da figura: Dahlén A et al. Eur J Orthod. 2024;46(6):cjae052. doi.org/10.1093/ejo/cjae052

Figura científica