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Planejamento · Cirurgia de terceiros molares

Extração de sisos: quando indicar e o que avaliar na imagem

A panorâmica é o exame de partida. A CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico) entra quando a panorâmica mostra sinais de proximidade com o canal mandibular. Ela ajuda a planejar a cirurgia, mas sozinha não reduz o risco de lesão do nervo.

CirurgiaPanorâmica · complementar: CBCT2 min de leitura

Base científica: Cochrane, meta-análises e ensaio clínico

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

Em cima, panorâmicas com sinais de proximidade entre as raízes e o canal mandibular. Embaixo, o corte transversal da CBCT do mesmo dente: (A) canal por vestibular, sem contato; (B) contato real, canal por lingual; (C) canal entre as raízes. O ponto branco marca o canal.Pérez-González F et al. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2024;29(1):e44-e50 · Fig. 3 · CC BY (Creative Commons Atribuição) · versão adaptada: contraste e nitidez; recorte de margens quando aplicável
DOI (identificador digital de objeto): 10.4317/medoral.26056 · Licença CC BY

Quando indicar

Com doença associada, a extração está indicada: pericoronarite, cárie no siso ou na distal do segundo molar, reabsorção radicular do segundo molar, cisto. Para o siso incluso sem sintomas e sem doença, a revisão Cochrane concluiu que não há evidência suficiente para recomendar a extração preventiva nem a manutenção.1 Manter o dente pode estar associado a mais doença periodontal no segundo molar a longo prazo, com certeza muito baixa. A decisão é compartilhada com o paciente e, se o dente ficar, ele deve ser acompanhado em consultas periódicas.

O que procurar na panorâmica

  • Posição do dente: angulação (classificação de Winter) e profundidade e relação com o ramo (Pell e Gregory).
  • Sinais de proximidade com o canal: escurecimento da raiz, interrupção da linha branca do canal e desvio do canal são os três sinais mais associados à lesão do nervo. Estreitamento do canal ou da raiz e desvio da raiz completam a lista.2
  • Segundo molar: cárie distal, perda óssea e reabsorção radicular.
95%sensibilidade da CBCT para prever exposição do nervo na cirurgia
74%sensibilidade da panorâmica
25%especificidade da panorâmica (CBCT: 64%)

A panorâmica dá muitos falsos positivos: boa parte dos sinais de risco não se confirma na tomografia.3 A figura acima mostra exatamente isso.

O que a CBCT acrescenta

A tomografia mostra se o canal passa por vestibular, por lingual ou entre as raízes, e se há estreitamento do canal no ponto de contato. Em ensaio clínico multicêntrico com pacientes de alto risco, canal lingual e estreitamento no contato foram os fatores de risco para lesão do nervo.4 No mesmo estudo, pedir CBCT não reduziu a lesão do nervo em comparação com a panorâmica (6,3% de lesão temporária na primeira semana), e uma meta-análise confirmou o achado.4,5 O ganho da CBCT está em mudar o plano: coronectomia ou acompanhamento em vez da extração completa.

Conduta

  1. Panorâmica para todo siso com indicação cirúrgica: posição e sinais de proximidade.
  2. Sem sinais de proximidade: a panorâmica basta para planejar.
  3. Com sinais de proximidade: CBCT de FOV (campo de visão) reduzido para localizar o canal e avaliar o contato.
  4. Canal lingual ou estreitado no contato: discuta com o paciente alternativas à extração completa, como coronectomia ou acompanhamento.4

Prevenção

Para o siso mantido, acompanhe clinicamente e com radiografia quando houver indicação, olhando sempre a distal do segundo molar.1 Em estudo prospectivo com 124 cirurgias, 4% tiveram alteração de sensibilidade e nenhuma foi permanente. Interrupção da linha branca e desvio do canal na panorâmica foram os sinais que mais indicaram risco.6

Referências e fontes 6 fontes
  1. Ghaeminia H et al. Surgical removal versus retention for the management of asymptomatic disease-free impacted wisdom teeth. Cochrane Database Syst Rev. 2020;5:CD003879.Revisão CochraneDOI: 10.1002/14651858.CD003879.pub5
  2. Rood JP, Shehab BA. The radiological prediction of inferior alveolar nerve injury during third molar surgery. Br J Oral Maxillofac Surg. 1990;28(1):20-5.Estudo clássicoDOI: 10.1016/0266-4356(90)90005-6
  3. Reia VCB et al. Diagnostic accuracy of CBCT compared to panoramic radiography in predicting IAN exposure. Clin Oral Investig. 2021;25(8):4721-4733.Meta-análiseDOI: 10.1007/s00784-021-03942-4
  4. Ghaeminia H et al. Clinical relevance of cone beam computed tomography in mandibular third molar removal: a multicentre, randomised, controlled trial. J Craniomaxillofac Surg. 2015;43(10):2158-67.Ensaio clínico randomizadoDOI: 10.1016/j.jcms.2015.10.009
  5. de Toledo Telles-Araújo G et al. CBCT does not reduce neurosensory disturbances after third molar removal compared to panoramic radiography. Clin Oral Investig. 2020;24(3):1137-1149.Meta-análiseDOI: 10.1007/s00784-020-03231-6
  6. Pérez-González F et al. Is it possible to predict neurosensory alterations in impacted lower third molar removal based on preoperative imaging procedures? Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2024;29(1):e44-e50.Coorte prospectivaDOI: 10.4317/medoral.26056

Fonte da figura: Pérez-González F et al. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2024;29(1):e44-e50. doi.org/10.4317/medoral.26056

Figura científica