Diagnóstico · Periodontia
Perda óssea periodontal: como ler na radiografia e quando a CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico) ajuda
A periapical e a interproximal mostram a altura do osso e o padrão da perda, e entram no estágio e no grau da classificação de 2017. As duas tendem a subestimar defeitos e furcas. A CBCT de FOV (campo de visão) reduzido fica para casos selecionados, como furca e defeito intraósseo antes de cirurgia.
Base científica: consensos, meta-análise e revisões sistemáticas
Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.
DOI (identificador digital de objeto): 10.1186/s12903-021-01460-z · Licença CC BY
O que é
É a perda do osso alveolar de suporte causada pela periodontite. Na imagem ela é horizontal quando a crista desce por igual entre dentes vizinhos, e vertical (angular) quando o osso se perde ao longo de uma raiz e forma um defeito intraósseo. A sondagem segue como referência para o diagnóstico, e a radiografia ajuda a classificar a doença e a definir o prognóstico.1
Radiografia 2D e CBCT na furca: meta-análise do 20º Workshop Europeu de Periodontia.2 Furca na periapical: estudo com 60 furcas, tendo a CBCT como referência.3
O que procurar na imagem
- Nível da crista: distância da junção amelocementária até a crista óssea. A interproximal mostra bem essa distância, mas pode não alcançar o fundo de bolsas profundas.1
- Padrão: horizontal, generalizado ou localizado, ou vertical junto a uma raiz. Um defeito vertical isolado em dente tratado endodonticamente pede atenção para fratura radicular.
- Perda em relação à raiz (estágio): no dente mais afetado, menos de 15% da raiz indica estágio I, de 15% a 33% indica estágio II, e perda que chega ao terço médio ou além indica estágio III ou IV. Defeito vertical de 3 mm ou mais e furca classe II ou III também levam ao estágio III.4
- Perda dividida pela idade (grau): o percentual de perda no dente mais afetado dividido pela idade abaixo de 0,25 sugere grau A, de 0,25 a 1,0 grau B, e acima de 1,0 grau C.4 Um paciente de 40 anos com 50% de perda tem razão de 1,25, compatível com grau C pelo critério indireto. O grau também considera progressão documentada, tabagismo e controle do diabetes; o estágio incorpora perda de inserção, dentes perdidos por periodontite e complexidade funcional.
- Furca: radiolucidez no espaço entre as raízes ou alargamento do ligamento na entrada da furca. Nos molares superiores a raiz palatina se sobrepõe à área.
A radiografia projeta em um plano uma estrutura em três dimensões. As corticais vestibular e lingual se sobrepõem e escondem defeitos de uma ou duas paredes e furcas iniciais. O consenso europeu considera a periapical pela técnica do paralelismo o exame ideal para estadiar e graduar, e registra tendência geral de subestimar a furca.1 Para furca avançada, a periapical teve especificidade de 79% e deixou passar mais da metade dos casos.3
O que a CBCT acrescenta
A tomografia mostra o número de paredes do defeito intraósseo e a extensão horizontal da furca. Em revisão sistemática, a CBCT acertou de 80% a 84% das furcas em relação ao achado cirúrgico.5 Em outra revisão, a concordância com a cirurgia foi de 82,4% a 84% para a CBCT e de 38,7% a 83,1% para a radiografia intraoral.6 A revisão da Academia Americana de Periodontia concluiu que a CBCT melhora o diagnóstico desses defeitos, mas encontrou pouca evidência de que ela melhore a execução do tratamento ou o resultado clínico.7 Por isso o consenso europeu não recomenda CBCT de rotina em periodontia.1 Coroas e restaurações metálicas geram artefatos e podem impedir a leitura da furca.3
Conduta
- Sondagem com perda de inserção: peça periapicais pela técnica do paralelismo nas áreas afetadas. Interproximais servem para posteriores com perda leve.1
- Estágio e grau: integre perda de inserção, perda óssea, dentes perdidos por periodontite e complexidade. Para estimar o grau indiretamente, divida o percentual de perda pela idade e considere tabagismo, diabetes e progressão documentada.4
- Suspeita de furca: combine a sonda de furca com a radiografia. A sonda tem mais sensibilidade e a radiografia tem mais especificidade.3
- Sem dúvida sobre a anatomia do defeito: a radiografia intraoral basta.1
Acompanhamento
Na terapia periodontal de suporte, monitore a inserção pela sondagem ou por radiografias associadas à profundidade de sondagem. Não há evidência de um intervalo ideal entre radiografias de controle.1 Defina o intervalo pelo risco do paciente e por sítios que não respondem ao tratamento. Repita a mesma técnica e o mesmo posicionador para comparar as imagens. Receptor digital e colimação retangular reduzem a dose.1
Referências e fontes 7 fontes
- Herrera D et al. Consensus Report of the 20th European Workshop on Periodontology: Contemporary and Emerging Technologies in Periodontal Diagnosis. J Clin Periodontol. 2025;52 Suppl 29:4-33.Consenso (EFP — Federação Europeia de Periodontia)DOI: 10.1111/jcpe.14152
- Discepoli N et al. Accuracy of Ionizing-Radiation-Based and Non-Ionizing Imaging Assessments for the Diagnosis of Periodontitis: Systematic Review and Meta-Analysis. J Clin Periodontol. 2025;52 Suppl 29:74-124.Revisão sistemática e meta-análiseDOI: 10.1111/jcpe.14137
- Berghuis G et al. A controlled study on the diagnostic accuracy of panoramic and peri-apical radiography for detecting furcation involvement. BMC Oral Health. 2021;21(1):115.Estudo diagnósticoDOI: 10.1186/s12903-021-01460-z
- Tonetti MS, Greenwell H, Kornman KS. Staging and grading of periodontitis: Framework and proposal of a new classification and case definition. J Periodontol. 2018;89 Suppl 1:S159-S172.Consenso (World Workshop 2017)DOI: 10.1002/JPER.18-0006
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- Jolivet G, Huck O, Petit C. Evaluation of furcation involvement with diagnostic imaging methods: a systematic review. Dentomaxillofac Radiol. 2022;51(8):20210529.Revisão sistemáticaDOI: 10.1259/dmfr.20210529
- Kim DM, Bassir SH. When Is Cone-Beam Computed Tomography Imaging Appropriate for Diagnostic Inquiry in the Management of Inflammatory Periodontitis? An American Academy of Periodontology Best Evidence Review. J Periodontol. 2017;88(10):978-998.Revisão sistemática (AAP — Academia Americana de Periodontia)DOI: 10.1902/jop.2017.160505
Fonte da figura: Berghuis G et al. BMC Oral Health. 2021;21:115. doi.org/10.1186/s12903-021-01460-z