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Diagnóstico · Reabsorções radiculares

Reabsorção cervical invasiva: confirmar a suspeita e avaliar a extensão

Pode ser silenciosa e surgir como achado incidental. A periapical ou a interproximal levanta a suspeita. Quando indicada, a CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico) ajuda a confirmar e avaliar a extensão em 3D para planejar o tratamento.

EndodontiaPeriapical · complementar: CBCT2 min de leitura

Base científica: consenso europeu, meta-análise e coortes

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

Canino superior com reabsorção cervical: (a) cavitação junto à margem gengival (seta amarela); (b) radiolucidez cervical na periapical; (c–e) cortes coronal, sagital e axial da CBCT confirmando a lesão.Patel S et al. Int Endod J. 2025;58(2):273-283 · Fig. 3 · CC BY (Creative Commons Atribuição) 4.0 · versão adaptada: contraste leve e nitidez; dimensões preservadas
DOI (identificador digital de objeto): 10.1111/iej.14166 · Licença CC BY

O que é

Reabsorção que começa na superfície externa da raiz, na região cervical, logo abaixo da inserção gengival, e avança para dentro do dente. Ela costuma ser silenciosa: o dentista a encontra antes de o paciente perceber qualquer coisa.1

58%dos casos foram achados de exame radiográfico
5%tinham a clássica mancha rósea na coroa
21%ocorreram em incisivos centrais superiores, os dentes mais afetados

Estudo observacional com 215 lesões encaminhadas; os percentuais descrevem essa série de casos.2

Fatores associados

  • Tratamento ortodôntico anterior ou em curso: 26% dos dentes.
  • Trauma dental: 21%.
  • Parafunção (bruxismo e apertamento): 10%.

Histórias registradas em uma série sem grupo controle; esses percentuais não demonstram causalidade ou risco populacional. Em 22% dos casos nenhum fator foi identificado.3

O que procurar na imagem

  • Periapical ou interproximal: radiolucidez irregular na região cervical. O contorno do canal costuma continuar visível através da lesão, o que ajuda a diferenciar da reabsorção interna.
  • Diferencial: cárie cervical ou subgengival, reabsorção interna e a faixa escura normal junto ao colo (burnout cervical).
  • CBCT: mostra a altura da lesão, quanto da circunferência da raiz está tomada e a proximidade com o canal.
85%sensibilidade da periapical
93%especificidade da periapical
8 de 32pacientes com suspeita na interproximal tiveram confirmação pela CBCT

Na meta-análise, a CBCT teve acurácia superior à periapical, com certeza da evidência muito baixa.4 Em adolescentes, a maioria das suspeitas na interproximal era outra condição que imitava a reabsorção, e a CBCT mostrou lesões mais extensas do que a radiografia sugeria.5

Conduta

  1. Suspeita na periapical ou na interproximal: correlacione com o exame clínico e considere CBCT de FOV (campo de visão) reduzido para confirmar e classificar a lesão quando a informação adicional puder orientar a conduta.1
  2. Classifique em 3D: altura, extensão ao redor da raiz e proximidade com o canal. Na coorte, o grupo de extensão entre 180° e 270° teve associação significativa com extração. Ao agrupar todas as lesões acima de 180°, a associação foi limítrofe (p=0,054). A extensão deve integrar a avaliação, sem determinar isoladamente o prognóstico.6
  3. Defina o tratamento pela extensão, pelo acesso e pelos sintomas: acompanhamento, reparo externo, reparo interno ou extração. A sobrevida estimada foi de 86% em 5 anos e de 80% em 10 anos.6
  4. Acompanhe com exame clínico e radiografias conforme evolução e risco individual. Em registro sueco com 14.881 dentes, a sobrevida estimada em 10 anos foi de 74,9% entre os selecionados para tratamento conservador; 42,8% foram extraídos inicialmente.7

Prevenção

Não há prevenção específica. A melhor medida é o diagnóstico precoce: atenção à região cervical em todas as radiografias, inclusive nas interproximais feitas para cárie, sobretudo em dentes com história de ortodontia ou trauma.3,5

Referências e fontes 7 fontes
  1. Patel S, Lambrechts P, Shemesh H, Mavridou A. European Society of Endodontology position statement: External Cervical Resorption. Int Endod J. 2018;51(12):1323-1326.ConsensoDOI: 10.1111/iej.13008
  2. Patel S et al. Clinical and radiographic features of external cervical resorption: an observational study. Int Endod J. 2023;56(12):1475-1487.Estudo observacionalDOI: 10.1111/iej.13968
  3. Patel S et al. Potential predisposing features of external cervical resorption: an observational study. Int Endod J. 2025;58(2):273-283.Estudo observacionalDOI: 10.1111/iej.14166
  4. de Sousa SEM et al. Diagnostic accuracy of cone-beam computed tomography and periapical radiography in detecting external cervical resorption: a systematic review and meta-analysis. Aust Endod J. 2026;52(1):272-281.Meta-análiseDOI: 10.1111/aej.70035
  5. Suhr Villefrance J et al. Early detection of external cervical resorption in posterior teeth: a radiographic, cross-sectional study of an adolescent population. Dentomaxillofac Radiol. 2023;52(2):20220223.Estudo transversalDOI: 10.1259/dmfr.20220223
  6. Patel S et al. The survival and success of teeth with external cervical resorption: a multi-centre, retrospective study. Int Endod J. 2026;59(9):1841-1857.Coorte multicêntricaDOI: 10.1111/iej.70172
  7. Mota de Almeida FJ et al. External cervical resorption treatments in routine dental practice: a nationwide registry-based cohort study with long-term follow-up. BMC Oral Health. 2026;26:1744.Coorte de registro nacionalDOI: 10.1186/s12903-026-09359-3

Fonte da figura: Patel S et al. Int Endod J. 2025;58(2):273-283. doi.org/10.1111/iej.14166

Figura científica