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Diagnóstico · Endodontia

Lesão periapical: quando a radiografia não mostra tudo

A periodontite apical costuma não doer e afeta metade dos adultos. A periapical é o exame inicial. Quando ela não fecha o diagnóstico, a tomografia de FOV (campo de visão) reduzido entra.

EndodontiaPeriapical · complementar: CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico)2 min de leitura

Base científica: revisões sistemáticas

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

(a) CBCT de incisivos centrais superiores com lesões periapicais segmentadas (vermelho): diâmetro de 5,63 mm e volume de 0,202 cm³. (b) Após 12 meses do retratamento, a lesão deixa de ser detectável.Wahba NKO et al. Clin Oral Investig. 2025;29(5):283 · Fig. 6 · CC BY (Creative Commons Atribuição) 4.0 · versão adaptada: contraste e nitidez; recorte de margens quando aplicável
DOI (identificador digital de objeto): 10.1007/s00784-025-06344-y · Licença CC BY

O que é

Inflamação e reabsorção óssea ao redor do ápice, causadas pela infecção do sistema de canais radiculares. Em geral é crônica e assintomática, e por isso aparece como achado de exame de rotina.

52%dos adultos têm ao menos um dente com lesão
39%dos dentes com tratamento de canal apresentam lesão
3%dos dentes sem tratamento endodôntico

Meta-análise com 114 estudos e 34.668 pacientes, conduzida na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria), em Santa Maria.1

O que procurar na imagem

  • Periapical: radiolucidez no ápice, perda de continuidade da lâmina dura e espessamento do espaço do ligamento periodontal.
  • Limite da 2D: lesões restritas ao osso medular, sem atingir a cortical, podem não aparecer. A sobreposição de estruturas também esconde lesões, sobretudo em molares superiores.
  • CBCT: mostra a extensão tridimensional, qual raiz está envolvida e a relação com o seio maxilar e o canal mandibular.
0,96acurácia (AUC — área sob a curva de características de operação do receptor) da CBCT em lesões simuladas
0,73acurácia (AUC) da periapical, mesmo modelo
58%sensibilidade da 2D em lesão persistente pós-tratamento

Na prática, quando a radiografia mostra lesão, a lesão existe (especificidade próxima de 100%). Quando não mostra, isso não exclui a lesão.2,3

Diagnóstico diferencial

Granuloma e cisto periapical não se distinguem com segurança pela imagem: a confirmação é histológica. Antes de indicar tratamento de canal, faça teste de sensibilidade pulpar. Um dente vital com radiolucidez apical aponta para outra origem, como displasia cemento-óssea, cisto ósseo simples ou lesões odontogênicas. A anatomia normal (forame mentual, canal incisivo) também pode simular lesão.

Conduta

  1. Comece pela periapical. Use técnica do paralelismo e uma segunda angulação horizontal quando houver sobreposição.
  2. Indique CBCT de FOV reduzido quando sinais e sintomas não batem com a imagem 2D, em anatomia complexa, suspeita de reabsorção ou fratura, trauma e no planejamento de cirurgia parendodôntica. A CBCT não é exame de rotina na endodontia.4,5
  3. Controle com periapical. Pela CBCT, a taxa de cicatrização cai de 87% (critério flexível) para 36% (critério estrito), porque ela detecta lesões residuais pequenas. No critério flexível, o resultado é semelhante ao da periapical, por isso a CBCT de controle não precisa ser rotina.6

Prevenção

A qualidade da obturação tem impacto direto no resultado. Em avaliação por CBCT, a obturação sem falhas reduziu em 2,39 vezes a chance de lesão não cicatrizada. O limite apical entre 0 e 2 mm aquém do ápice também foi associado à cicatrização.7 Diagnóstico precoce de cáries profundas e controle radiográfico de dentes já tratados completam a prevenção.

Referências e fontes 7 fontes
  1. Tibúrcio-Machado CS et al. The global prevalence of apical periodontitis: a systematic review and meta-analysis. Int Endod J. 2021;54(5):712-735.Meta-análiseDOI: 10.1111/iej.13467
  2. Leonardi Dutra K et al. Diagnostic accuracy of cone-beam computed tomography and conventional radiography on apical periodontitis. J Endod. 2016;42(3):356-64.Meta-análise · estudos ex vivoDOI: 10.1016/j.joen.2015.12.015
  3. Ramis-Alario A et al. Comparison of the diagnostic efficacy of 2D radiography and CBCT in persistent apical periodontal disease. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol. 2021;132(4):e153-e168.Meta-análise DTADOI: 10.1016/j.oooo.2021.07.002
  4. Patel S et al. European Society of Endodontology position statement: use of cone beam computed tomography in Endodontics. Int Endod J. 2019;52(12):1675-1678.ConsensoDOI: 10.1111/iej.13187
  5. AAE (Associação Americana de Endodontistas) and AAOMR (Academia Americana de Radiologia Oral e Maxilofacial) Joint Position Statement: use of cone beam computed tomography in Endodontics, 2015 update. J Endod. 2015;41(9):1393-6.ConsensoDOI: 10.1016/j.joen.2015.07.013
  6. Brochado Martins JF et al. CBCT-assessed outcomes and prognostic factors of primary endodontic treatment and retreatment. J Endod. 2025;51(6):687-706.Meta-análiseDOI: 10.1016/j.joen.2025.03.004
  7. Alves dos Santos GN et al. Is the quality of root canal filling obtained by cone-beam computed tomography associated with periapical lesions? Clin Oral Investig. 2022;26(8):5105-5116.Meta-análiseDOI: 10.1007/s00784-022-04558-y

Fonte da figura: Wahba NKO et al. Clin Oral Investig. 2025;29(5):283. doi.org/10.1007/s00784-025-06344-y

Figura científica