Diagnóstico · Cárie
Cárie proximal: o que a interproximal mostra e o que ela esconde
A interproximal é o exame de escolha para as faces de contato, mas perde boa parte das lesões iniciais. A profundidade na imagem orienta se a conduta é sem broca, microinvasiva ou restauradora.
Base científica: consenso europeu e meta-análises
Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.
DOI (identificador digital de objeto): 10.1186/s12903-024-04120-0 · Licença CC BY
O que é
Lesão de cárie nas faces de contato entre os dentes posteriores, logo abaixo do ponto de contato. Como a face não é vista diretamente, o consenso europeu de cariologia recomenda o exame visual como primeiro passo e a radiografia intraoral, de preferência a interproximal, como método complementar.1
Meta-análise com 117 estudos e 19.108 superfícies.2
O que procurar na imagem
- Localização: radiolucidez entre o ponto de contato e a junção amelocementária.
- Profundidade: E1 (metade externa do esmalte), E2 (metade interna), D1 (terço externo da dentina), D2 (terço médio) e D3 (terço interno). A radiografia tende a mostrar a lesão menor e mais rasa do que ela é.
- Armadilhas: sobreposição dos contatos quando o feixe não está paralelo às faces proximais e o "burnout" cervical, uma faixa escura normal junto ao colo que imita cárie.
A radiografia acerta pouco nas lesões iniciais, mas raramente aponta lesão onde não existe. Para lesões em dentina, a acurácia da interproximal (AUC — área sob a curva de características de operação do receptor) variou de 0,81 a 0,92 em estudos laboratoriais.2,3 A CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico) não é exame para diagnóstico de cárie.4
Conduta
- Exame visual com dentes limpos e secos, completado pela interproximal.1
- Intervalo entre radiografias definido pelo risco de cárie de cada paciente, não por calendário fixo.4
- Lesão em esmalte ou na junção amelodentinária, sem cavitação: controle sem broca (flúor, fio dental) ou infiltração resinosa. Infiltração associada ao verniz de flúor a 5% foi a opção mais eficaz para deter lesões proximais não cavitadas.5 O efeito da infiltração não se confirmou quando a lesão já atinge o terço externo da dentina.6
- Lesão cavitada em dentina: tratamento restaurador.
Prevenção
Higiene interproximal diária, flúor e controle da dieta. Para acompanhar uma lesão, repita a interproximal com a mesma técnica, para que as imagens possam ser comparadas.
Referências e fontes 6 fontes
- Kühnisch J et al. ORCA-EFCD consensus report on clinical recommendation for caries diagnosis. Paper I: caries lesion detection and depth assessment. Clin Oral Investig. 2024;28(4):227.ConsensoDOI: 10.1007/s00784-024-05597-3
- Schwendicke F, Tzschoppe M, Paris S. Radiographic caries detection: a systematic review and meta-analysis. J Dent. 2015;43(8):924-33.Meta-análiseDOI: 10.1016/j.jdent.2015.02.009
- Janjic Rankovic M et al. Systematic review and meta-analysis of diagnostic studies of proximal surface caries. Clin Oral Investig. 2021;25(11):6069-6079.Meta-análiseDOI: 10.1007/s00784-021-04113-1
- Kühnisch J et al. Best clinical practice guidance for prescribing dental radiographs in children and adolescents: an EAPD policy document. Eur Arch Paediatr Dent. 2020;21(4):375-386.Diretriz · crianças e adolescentesDOI: 10.1007/s40368-019-00493-x
- Urquhart O et al. Nonrestorative treatments for caries: systematic review and network meta-analysis. J Dent Res. 2019;98(1):14-26.Meta-análise em redeDOI: 10.1177/0022034518800014
- Liang Y et al. Micro-invasive interventions for managing non-cavitated proximal caries of different depths. Clin Oral Investig. 2018;22(8):2675-2684.Meta-análiseDOI: 10.1007/s00784-018-2605-9
Fonte da figura: Pérez de Frutos J et al. BMC Oral Health. 2024;24:344. doi.org/10.1186/s12903-024-04120-0