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Planejamento · Implantes

Insucesso em implantes: o que a radiografia mostra

A periapical feita na instalação da prótese é a referência para todo o acompanhamento. Perda óssea progressiva com sangramento à sondagem define peri-implantite.

ImplantodontiaPeriapical · complementar: CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico)2 min de leitura

Base científica: consensos e meta-análises

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

Implante com peri-implantite: defeito ósseo na radiografia inicial e preenchimento ósseo nos controles de 3, 5 e 10 anos após o tratamento cirúrgico e a manutenção regular.Mercado F, Ivanovski S. J Clin Periodontol. 2026;53(10):1575-1584 · Fig. 3 · CC BY (Creative Commons Atribuição) 4.0 · recortada (só as radiografias) e rotulada em português · versão adaptada: contraste e nitidez; recorte de margens quando aplicável
DOI (identificador digital de objeto): 10.1111/jcpe.70175 · Licença CC BY

O que é

O insucesso pode ser precoce, quando o implante não osseointegra, ou tardio, por doença peri-implantar. A mucosite é inflamação sem perda óssea e é reversível. A peri-implantite soma inflamação e perda óssea progressiva.

43%prevalência média de mucosite peri-implantar
22%prevalência média de peri-implantite
≥3 mmde nível ósseo com sangramento indicam peri-implantite quando não há radiografia anterior

Prevalências da meta-análise do workshop europeu de periodontia;2 critério de 3 mm do World Workshop 2017.1

Sucesso e insucesso pelos critérios atuais

  • Saúde: sem sinais de inflamação e sem perda óssea além da remodelação inicial.
  • Mucosite: sangramento à sondagem, sem perda óssea adicional.
  • Peri-implantite: inflamação, perda óssea na radiografia depois da cicatrização inicial e aumento da profundidade de sondagem.
  • Sem radiografia anterior: nível ósseo a 3 mm ou mais, com sangramento e sondagem de 6 mm ou mais.1

O que procurar na imagem

  • Periapical com paralelismo: as roscas do implante devem aparecer nítidas dos dois lados. Roscas borradas indicam feixe inclinado e medida pouco confiável.
  • Perda óssea: defeito em forma de taça ao redor do pescoço do implante, medido do ombro do implante até o fundo do defeito.
  • Falha de osseointegração: radiolucidez contínua ao redor de todo o implante, em geral com mobilidade.
  • Excesso de cimento: fator de risco local para mucosite, às vezes visível como material radiopaco junto à plataforma.2

A CBCT é o exame do planejamento do implante.5,6 No controle, os artefatos do metal prejudicam a avaliação do osso junto ao implante.5 Por isso ela fica para dúvidas que a periapical não resolve, como a posição do implante em relação ao canal mandibular ou ao seio maxilar.

Conduta

  1. Periapical de referência na instalação da prótese. É contra ela que toda perda óssea futura é medida.1
  2. Sondagem nas consultas de manutenção e nova periapical quando houver sangramento, supuração ou aumento da profundidade.
  3. Peri-implantite confirmada: encaminhe para tratamento. Em coorte de 10 anos com tratamento cirúrgico e manutenção individualizada, 96,6% dos implantes foram mantidos e a perda óssea radiográfica caiu de 57% para 13%.7

Prevenção

A manutenção regular é o fator de maior peso. Quem frequenta as consultas de manutenção tem menos doença peri-implantar (OR (razão de chances) 0,42), e a falta de manutenção aumenta o risco de perder o implante (OR 3,76).3 Outra meta-análise encontrou risco de peri-implantite quatro vezes menor com terapia de suporte (RR (risco relativo) 0,25).4 Controle glicêmico no paciente diabético, abandono do tabagismo e prótese que permita higiene e sondagem completam a prevenção.2,3

Referências e fontes 7 fontes
  1. Renvert S et al. Peri-implant health, peri-implant mucositis, and peri-implantitis: case definitions and diagnostic considerations. J Clin Periodontol. 2018;45 Suppl 20:S278-S285.Consenso (World Workshop 2017)DOI: 10.1111/jcpe.12956
  2. Jepsen S et al. Primary prevention of peri-implantitis: managing peri-implant mucositis. J Clin Periodontol. 2015;42 Suppl 16:S152-7.Consenso com meta-análiseDOI: 10.1111/jcpe.12369
  3. Carra MC et al. Primordial and primary prevention of peri-implant diseases: a systematic review and meta-analysis. J Clin Periodontol. 2023;50 Suppl 26:77-112.Meta-análiseDOI: 10.1111/jcpe.13790
  4. Lin CY et al. The effect of supportive care in preventing peri-implant diseases and implant loss: a systematic review and meta-analysis. Clin Oral Implants Res. 2019;30(8):714-724.Meta-análiseDOI: 10.1111/clr.13496
  5. Jacobs R et al. Cone beam computed tomography in implant dentistry: recommendations for clinical use. BMC Oral Health. 2018;18(1):88.RecomendaçõesDOI: 10.1186/s12903-018-0523-5
  6. Harris D et al. E.A.O. guidelines for the use of diagnostic imaging in implant dentistry 2011. Clin Oral Implants Res. 2012;23(11):1243-53.DiretrizDOI: 10.1111/j.1600-0501.2012.02441.x
  7. Mercado F, Ivanovski S. Surgical therapy for peri-implantitis using deproteinised bovine bone mineral with 10% collagen, enamel matrix derivative and doxycycline: a prospective cohort 10-year implant study. J Clin Periodontol. 2026;53(10):1575-1584.Coorte prospectivaDOI: 10.1111/jcpe.70175

Fonte da figura: Mercado F, Ivanovski S. J Clin Periodontol. 2026;53(10):1575-1584. doi.org/10.1111/jcpe.70175

Figura científica