COR·BibliotecaRADIOLOGIA ODONTOLÓGICA
Site CORCatálogo
‹ Voltar ao catálogo

Diagnóstico · Seio maxilar

Sinusite odontogênica: como achar o dente por trás do seio velado

Cerca de metade das sinusites maxilares pode ter origem dentária. Ela costuma ser unilateral e tende a persistir enquanto o dente não é tratado. A CBCT (tomografia computadorizada de feixe cônico) mostra a relação entre ápice, assoalho do seio e mucosa, que a periapical e a panorâmica muitas vezes escondem.

Seio maxilarCBCT e periapical4 min de leitura

Base científica: consensos internacionais, meta-análise e estudos prospectivos

Ler a explicação para o paciente

Imagem adaptada para leitura; alterações identificadas na legenda.

Primeiro molar superior (26) com tratamento de canal. (c) No corte coronal da CBCT, a lesão periapical das raízes vestibulares fica dentro do seio maxilar, com espessamento da membrana sinusal (membrana de Schneider) sobre ela. (a) Na periapical do mesmo dente, a lesão parece pequena e a relação com o seio não fica clara.Taschieri S et al. BMC Oral Health. 2021;21:252 · Fig. 3 · CC BY (Creative Commons Atribuição) 4.0 · recortada (só os painéis a e c, lado a lado; foto cirúrgica e controles removidos) · versão adaptada: contraste leve e nitidez; dimensões, letras e setas preservadas
DOI (identificador digital de objeto): 10.1186/s12903-021-01610-3 · Licença CC BY

O que é

Inflamação do seio maxilar causada por infecção dentária ou por complicação de procedimento odontológico. As causas mais comuns são lesão periapical, periodontite avançada, comunicação bucossinusal após extração e implante ou enxerto em contato com o seio. Costuma ser unilateral e tende a persistir enquanto o dente não é tratado.

50%das sinusites maxilares podem ter origem dentária
45%das doenças unilaterais com o seio maxilar todo velado eram odontogênicas
34%mais lesões periapicais na CBCT do que na periapical, em dentes posteriores superiores

Origem dentária: revisão com 38 estudos, 31 incluídos nas meta-análises, em pacientes avaliados por tomografia. As associações tiveram certeza de evidência muito baixa.1 Doença unilateral: série prospectiva com 134 pacientes.2 CBCT e periapical: 156 raízes de pré-molares e molares superiores encaminhados para cirurgia apical; o resultado não representa todos os dentes posteriores.3

O que procurar na CBCT

  • Lado: espessamento da mucosa, nível hidroaéreo ou velamento em um seio só, maior no assoalho, junto ao dente suspeito.
  • Dente causal: lesão periapical em pré-molar ou molar superior que encosta no assoalho do seio ou rompe a cortical. Em 202 casos de espessamento mucoso em CBCT, 48% estavam associados a lesão periapical, e o primeiro molar foi o dente mais envolvido (44%). Lesões maiores e mais raízes acometidas se associaram a espessamento mais extenso.4
  • Periodonto: perda óssea moderada ou grave chegando perto do assoalho. Na meta-análise, lesão apical (OR (razão de chances) 4,03) e periodontite (OR 5,49) se associaram à sinusite de origem dentária.1
  • Corpo estranho e comunicação: raiz, material obturador, implante ou enxerto deslocado para o seio. Falha na cortical do assoalho após extração.
  • Extensão: o velamento costuma passar do seio maxilar para o etmoide e o frontal. Em 88,3% dos casos odontogênicos de uma série prospectiva, a doença se estendia além do seio maxilar.2

Diagnóstico diferencial e limites

Espessamento da mucosa isolado não confirma sinusite odontogênica. Considere rinossinusite de outras causas, cisto de retenção e outras lesões sinusais. A imagem precisa ser correlacionada com sintomas, exame odontológico e avaliação otorrinolaringológica.6

O que a CBCT acrescenta

Na periapical e na panorâmica, raízes, assoalho do seio e processo zigomático se sobrepõem. Em pré-molares e molares superiores, a CBCT mostrou 34% mais lesões que a periapical. A detecção na periapical foi mais difícil nos segundos molares e nas raízes próximas ao assoalho. A CBCT também mostrou com mais frequência o espessamento da membrana do seio e a extensão da lesão para dentro dele.3

O dente costuma passar despercebido nos laudos de imagem dos seios. Em 65,5% dos casos odontogênicos de uma série, o laudo não mencionava a doença dentária.2 A periapical continua útil como apoio para avaliar o dente e para o controle depois da endodontia.

Conduta

  1. Suspeite: sintomas nasais de um lado só, secreção, pressão facial e mau cheiro, sobretudo depois de extração, endodontia ou implante na região. Em 131 pacientes com doença sinusal unilateral, mau cheiro (OR 6,11) e pressão facial (OR 3,55) se associaram à origem dentária.5 A dor de dente pode faltar.
  2. Confirme a causa dental: exame clínico, testes de sensibilidade pulpar, percussão e sondagem, com imagem escolhida conforme a dúvida clínica. Considere CBCT com campo adequado quando a avaliação 2D não esclarecer a causa dental; a extensão sinusal pode exigir investigação adicional pelo otorrinolaringologista. Pelo consenso internacional, o dentista confirma a doença dentária e o otorrinolaringologista confirma a sinusite.6
  3. Laude o seio e o dente: espessamento, nível hidroaéreo, velamento, relação do ápice com o assoalho, continuidade da cortical e corpo estranho.
  4. Trate a causa: endodontia ou retratamento, cirurgia parendodôntica ou extração. Feche a comunicação bucossinusal e remova raiz, material ou implante deslocado.
  5. Trabalhe com o otorrino: tratar só o dente ou combinar com cirurgia endoscópica dos seios é decisão compartilhada entre otorrinolaringologista, dentista e paciente.7 A cirurgia endoscópica entra em discussão quando os sintomas são intensos, persistem após o tratamento dental ou há complicação.

Prevenção

Trate lesões periapicais e periodontite nos dentes posteriores superiores, condições associadas à sinusite de origem dentária, assim como a perda óssea moderada ou grave.1 Avalie a relação das raízes com o assoalho antes de extrações, cirurgias e implantes nessa região. Controle o comprimento de trabalho e evite extravasar material obturador. Depois de extrair molar superior, verifique se há comunicação com o seio e feche quando presente.

Referências e fontes 7 fontes
  1. Vitali FC et al. Global prevalence of maxillary sinusitis of odontogenic origin and associated factors: a systematic review and meta-analysis. J Endod. 2023;49(4):369-381.e11.Meta-análiseDOI: 10.1016/j.joen.2023.01.010
  2. Turfe Z et al. Odontogenic sinusitis is a common cause of unilateral sinus disease with maxillary sinus opacification. Int Forum Allergy Rhinol. 2019;9(12):1515-1520.Série prospectivaDOI: 10.1002/alr.22434
  3. Low KM et al. Comparison of periapical radiography and limited cone-beam tomography in posterior maxillary teeth referred for apical surgery. J Endod. 2008;34(5):557-562.Estudo diagnósticoDOI: 10.1016/j.joen.2008.02.022
  4. Gürhan C et al. Evaluation of factors affecting the association between thickening of sinus mucosa and the presence of periapical lesions using cone beam CT. Int Endod J. 2020;53(10):1339-1347.Estudo transversalDOI: 10.1111/iej.13362
  5. Goyal VK et al. Predicting odontogenic sinusitis in unilateral sinus disease: a prospective, multivariate analysis. Am J Rhinol Allergy. 2021;35(2):164-171.Coorte prospectivaDOI: 10.1177/1945892420941702
  6. Craig JR et al. Diagnosing odontogenic sinusitis: an international multidisciplinary consensus statement. Int Forum Allergy Rhinol. 2021;11(8):1235-1248.Consenso internacionalDOI: 10.1002/alr.22777
  7. Craig JR et al. Management of odontogenic sinusitis: multidisciplinary consensus statement. Int Forum Allergy Rhinol. 2020;10(7):901-912.Consenso multidisciplinarDOI: 10.1002/alr.22598

Fonte da figura: Taschieri S et al. BMC Oral Health. 2021;21:252. doi.org/10.1186/s12903-021-01610-3

Figura científica